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quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Bodhgaya (o caminho do Buda)



Depois de uma série de viagens e ainda com alguma energia procurei tentar conhecer e descobrir Varanasi. Chegado à parte antiga da cidade não é permitida a circulação de viaturas. Era o pânico... pensava eu que já tinha visto confusão... Varanasi era uma mistura de turistas, peregrinos, biciclietas e vacas! A verdadeira confusão tudo ao molho e fé em deus... Vamos muito bem na rua e de repente passa um morto ao nosso lado! lol

Varanasi é a cidade mais religiosa de todo o mundo. Desde cedo que os crentes iniciam as suas rezas dedicadas e apaixonadas.

Ainda assim as coisas pareciam não correr bem pois não conseguia quarto e enquanto caminhava carregado de malas ás costas tentava perceber se um miúdo que falava comigo queria dinheiro ou se estava realmente a ajudar-me. Acabei por não perceber mas pelo menos foi um belo guia... por entre ruelas foi ele que me safou um quarto! Varanasi é um labirinto de ruas e toda a gente acaba por se perder por tanto corredor semelhante. Ainda mais começou a chover e a luz faltou... Foi uma tarde perdida. O meu quarto era dos piores, sem janelas, no corredor e junto a uma casa de banho. Não podia ser pior (pelo menos foi barato) mas como estava tão cansado e apesar de ter de acordar de novo as 4H para apanhar de novo o comboio dormi que nem um anjinho.

Dia seguinte lá acordo eu para ir apanhar o meu comboio com destino a Gaya. Por entre o labirinto descobri que as 4H30 já andam por aqui uns a banhar-se no rio de volta das suas rezas! Isto é uma dedicação doentia devo dizer... Ainda assim segui o meu caminho até à estação. Segui viagem até Gaya onde depois apanhei um rickshaw que partilhei com Alexa uma america que havia conhecido.



Chegado a Bodhgaya resolvi instalar-me num mosteiro tibetano pois queria estar mais próximo da religião.



Saudações




Esta é a cidade onde Buda cresceu e atingiu o nirvana. Existe um conjunto de templos consoante a variação da religião mas com base em Buda.












O templo Mahabodhi, o principal, traz até esta vila centenas de crentes todos os dias.









À noite o templo ganhava mesmo outras cores.



E a Bodhi Tree a árvore onde Buda meditou e se sentiu iluminado.




Aqui encontra-se também a estátua do Buda com 25 metros de altura.





Bodhigaya insere-se no concelho mais pobre de toda a India e isso via-se e sentia-se nas ruas. Vejam por exemplo o refeitório da escola.



A casa de banho.



O cabeleireio.




Enfim o mercado é bastante simples tipico de uma região mais isolada.





Ainda assim senti-me na necessidade de fazer algo e de contribuir. Sendo assim depois de conversar com alguns miudos que me haviam dado boleia na sua bicicleta estavam a pedir dinheiro pois queriam comprar uma bola de futebol. Queriam jogar e não tinham bola! Achei que dar dinheiro não era a melhor solução mas uma bola ali era de facto demasiado cara! Lá cheguei a acordo com a bola de exposição e dei parte do dinheiro e o senhor da loja outra parte. Ao menos os miudos agora já podem jogar à bola.



Aqui é normal os miudos virem falar conosco segundo dizem que os professores pedem para falar com os estrangeiros para praticarem o inglês. Falei com um pequenote que queria que visitasse a sua escola. Não me era possível naquele momento mas no dia seguinte disse que passaria por lá. Antes disso fui à Internet para enviar uns mails e quando me venho embora sou abordado pelo dono do estabelecimento.



Afinal de contas percebeu que eu percebia de computadores e queria a minha ajuda. Tinha feito uma página e queria saber como coloca-la online. Lá o ajudei dentro do possível pois ele tinha uma situação pedende com a empresa de hospedagem do site. Ainda assim acabou por me dar boleia na sua mota até à escola que eu queria visitar (Eu, ele e o pai dele, três numa mota é normal aqui).

A escola Sujata Bal Niketan é privada e resulta da contribuição de pessoas de fora. Cada miúdo é patrocinado por alguém e pode ter desta forma acesso a uma melhor educação. Quis visitar a escola pois queria saber as condições em que estes miúdos aprendiam. Claro que mal entrei na escola fiquei rodeado de miudos e lá acabei por parar as classes todas. Antes de ir para a escola resolvi passar numa loja de livros queria levar alguma coisa mas não tinha nada preparado, achei que era mais o acto simbólico que outra coisa como tal lá num canto estava um livro de como aprender Português. Era perfeito! Assim foi, ofereci o livro à escola para que se um dia se algum miúdo quizesse aprender um pouco da nossa lingua o pudesse fazer. Por incrivel que pareça o professor até nem falava muito inglês e alguns miudos falavam melhor que ele. Ele pensava que eu tava ali para dar uma aula de português! LOL então achava que era melhor voltar amanhã cedo e falar com os mais crescidos. Infelizmente desta vez não podia ser mas quem sabe se num futuro!






E todos os miúdos que encontramos na rua estão sempre dispostos a tirar uma foto.




Aproveitei estar nesta zona para provar alguns dos pratos tibetanos.





Claro que não provei esta iguaria.



Mas no final acabei por me render a um crepe de banana.

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Viagem de 1550 Km



Esta foi a maior viagem que fiz! Tudo remonta as 6H do dia 16 onde depois de perceber que me encontrava realmente no deserto e pela ausência de transportes optei por apanhar um BUS local.



Entre ficar mais dois dias no deserto (tempo que não disponho) e vir nestas condições optei por viajar entre os locais. A primeira viagem foi até Bikaner que fica entre Jaisalmer e Delhi. O autocarro cada vez que era necessário lá parava no meio do nada! Ia quase cheio quando de repente no meio do nada sim mesmo no meio do nada tipo uma estrada sem casas sem nada uma familia sentada no chão pede para entrar! 30 pessoas num autocarro já cheio! Tão a imaginar não é toda a gente em cima uns dos outros por sorte até consegui lugar pois entrei logo no inicio!




O meu companheiro de viagem este simpático velhinho mono-dente quase que não tinha força para tossir e falava uma lingua realmente estranha! Não houve qualquer possibilidade de comunicação. A certo momento da viagem, o meu lugar era a janela, quando ele quiz cuspir hábito entre os locais, com muito pouca força e em cima de mim lá sopra e o dente quase que salta, resultado lol lá vai a saliva pa janela metade dentro metade fora! CA NOJO...



vá lá não me ter acertado... mas gostei da preocuapação dele pois pensava que me tinha acertado... haha! Passadas quase 8 horas chegamos a Bikaner... uma terra do nada que raramente recebe turistas!




O que quer dizer que quando saí do autocarro sem exagero tinha 10 pessoas à minha volta a tentar levar-me para algum lado... era a loucura eu só queria ir para Delhi... lá acabei por ceder e fui com Shanlanden (ou como se escreve) que me levou para sua casa!



Este senhor gere uma pequena empresa de tours ao deserto e ainda tentei arranjar alguma coisa para mim nessa tarde, mas infelizmente o deserto não queria nada comigo e as condições não se proporcionaram! Almocei em sua casa no seio da sua família e pude experimentar a verdadeira comida local! A sua mulher cozinhou mesmo à minha frente!!!



Eram horas de voltar e não havia de novo comboio como tal tive de apanhar um autocarro... Autocarro público até Delhi... durante a noite! Um autocarro mesmo muito velho e ainda por cima tinha barras nas janelas! Estranho mais parecia da prisão... depois ainda vi este guarda e ainda me assustei mais... eheh



Lá segui viagem entre os locais, uma vez mais! Foram 13 horas que levaram uma eternindade a passar... entretanto começa a chuvar (ainda bem que não tinha ido para o deserto) por entre a lama e algumas estradas inundadas lá passa o autocarro em toda a santa terrinha... mesmo toda! Ao meu lado e lá para meio da noite alguém encosta a cabeça no meu ombro e dorme!! LOL parecia um filme!

Finalmente cheguei as 6H do dia 17 a Nova Delhi... era cedo e a cidade começava a acordar!



Tentei procurar um café e nem isso consegui! Resolvi voltar ao sítio onde tinha ficado da outra vez alojado... encontrei um belo café tibetano onde já havia estado e onde tomei um pequeno almoço que me soube a um verdadeiro manjar. Aproveitei para ir à internet para planear o meu próximo passo! Depois de perceber que teria de fazer de novo uma viagem de 15 horas de comboio, achei que não devia de perder mais tempo como tal, segui até ao aeroporto doméstico onde comprei um conjunto de bilhetes! Afinal as viagens não são assim tão caras e compensa pelo tempo ganho e conforto da viagem. Resolvi então comprar no voo 14 o lugar 14 com destino a Varanasi.



Sendo assim e após algumas horas (pois preferi comprar um voo ao principio da tarde) e depois de um agradável almoço no aeroporto de Delhi, estava agora no pequeno aeroporto de Varanasi. Viajei com a Spicejet uma low cost muito à frente...





Só um pequeno reparo é a forma como eles conduzem até dentro da pista... lol sempre a buzinar e com altas razias... estes gajos não aprendem! Ah e usam tractores LOL

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Jaisalmer



Depois de uma passagem aventurada por Jaipur segui num comboio expresso que levou 16 horas e meia até às proximidades do deserto do Sahara (Jaisalmer). Durante a viagem tive oportunidade de conhecer um casal de viajantes, ela da Coreia ele da Nova Zelândia, o que me ajudou também a passar algum tempo desta longa viagem!



Chegado a Jaisalmer rápidamente percebi que estaria numa das cidades usadas nos filmes! Todas as casas parecem seguir o mesmo traço antigo transmitindo um efeito que só as fotos o poderão descrever. Parece um monumento vivo e apenas as Vacas e as lojas tiram algum encanto à paisagem. Por fora o magnífico forte construído sobre areia e simplesmente imponente. É difícil distinguir uma simples casa de um templo pois todos parecem ter interesse histórico.










Fora do forte também se seguia o mesmo conceito de construção embora não tanto.





De um dos miradouros do forte podia-se observar a vista sobre a extensão da cidade enquanto uns miúdos lá em baixo jogava cricket




Devo referir que estamos na fronteira do Paquistão e isso nota-se e muito! Não parece a India, são muçulmanos e quando chegava aquela hora lá se começava a ouvir da igreja os chamamentos de Ála!

Estamos mesmo no deserto até as Vacas comem jornal



Até o hotel onde fiquei tinha uma bonita janela esculpida em pedra. Optei desta vez por um quarto de luxo com AC (muito bom para quando se está no deserto) e TV com satélite (em 60 canais, 50 eram em língua estranha e 10 em inglês com o AXN vá lá!). A casa de banho só tinha uma coisa estranha, quando abri a torneira de água quente do duche não saiu água nenhuma (também não queria, mas tinha-me enganado) mas sim saiu do lavatório... esta nunca me tinha acontecido! Caso para dizer só na India!



Apesar de ter tentando não me foi possível fazer uma trip pelo deserto... afinal de contas já tinha perdido um dia e não podia ficar mais tempo! Para cúmulo como não havia comprado passagem de comboio rápidamente me apercebi do que é viver no deserto... não há comboios e os poucos que há têm de ser reservados com 2 dias de antecedência! Coisas à destino! Mas ainda não tinha desistido...

Aqui conheci um pessoal bem porreiro, malta da Bélgica e de Inglaterra.